segunda-feira, 22 de maio de 2017

Resenha (28/150): Assovie Que Virei - Histórias de Fantasmas, de M.R James (Editora Penalux)



Sinopse: Com um poder quase diabólico para invocar sutilmente o horror em meio ao cotidiano e ao prosaico da vida, M. R. James sobrassai-se como um dos melhores autores da literatura sobrenatural, graças a seu método e estilo distintos, que por certo, servirão de modelo para outros escritores inclinados ao terror.
Esse pequeno livro é algo como uma conversa entre amigos numa noite de tempestade: enquanto relâmpagos e trovões explodem lá fora, as histórias vão se sucedendo com aparente descompromisso mas, entre um relâmpago e outro trovão, se insinua um misterioso perseguidor encapuzado, um poço que contém terríveis segredos, uma inocente cama de hospedaria cujo lençol é capaz de indizíveis horrores. A conversa entre amigos se torna tensa e eles só não fogem porque o Desconhecido já os agarrou antes mesmo que se dessem conta.

Quem conhece meu gosto literário sabe que histórias de fantasmas, espíritos e demônios sempre conseguem prender minha atenção. Nunca havia lido nada do autor M.R. James e muito menos alguma citação sobre ele. Ao receber o livro da Editora Penalux, fiquei surpreso ao conferir que os contos do autor, se comparam ao grande mestre H.P Lovecraft. Não é exagero algum essa comparação, pois os enredos são bem embasados e com um desenvolvimento digno de um filme de terror.

“Assovie que Virei – Histórias de Fantasmas” reúne cinco contos do autor, escolhidos entre dezenas de outros que M.R James publicou. No primeiro conto, intitulado: Corações Perdidos, onde conhecemos um garoto, que ficando órfão, é recebido por um primo solteirão em uma assustadora mansão. No meio de uma noite, ele começa a ter visões de das crianças que guardam um terrível segredo, que pode custar a sua vida.

No segundo conto, O Freixo, uma grande e misteriosa árvore pode esconder a causa da morte de um de seus donos. Mas o que ela esconde, pode ser mais terrível do que você imagina. Em O Conde Magnus, terceiro conto da antologia, o autor nos mostra como a curiosidade pode ser mortal algumas vezes, quando um viajante resolve remexer no passado e em histórias de seres desconhecidos.

O quarto conto, O Poço dos Gemidos, nos mostra o jovem Stanley desafiando o aviso de todos para não se aproximar de um antigo poço que esconde um terrível e mortal mistério. Ao se aproximar, levando consigo outros, a morte já o estava esperando.

No quinto e último conto, que dá nome ao livro, um apito encontrado no meio de destroços de uma antiga construção, chama um grande e terrível mal para a vida do personagem Parkins. Seria um espírito ou um demônio aquele ser que começava a visitar seus aposentos após utilizar o misterioso apito?

O livro, traduzido por Chico Lopes, é uma grande referência ao terror verdadeiro. Aquelas histórias que nos arrancam arrepios e sustos. Trazendo este clássico para o Brasil, a Editora Penalux mostra seu interesse em buscar sempre a melhor qualidade para seus leitores. A diagramação está mais uma vez impecável e sem erros de revisão.

Mas cuidado, não leia o livro sozinho e no escuro.  

Resenha (27/150): Por Quê, Pai? de Paul Law (Por Salvattore) #EuLeioBrasil

Sinopse: Até onde uma escolha pode levar uma pessoa? À felicidade, ao remorso, à loucura ou à destruição? Denis Ferreira é um advogado falido. Deprimido, afunda-se no álcool. Ao reencontrar Julieta, sua filha, revive momentos terríveis. Ela o coloca contra a parede em busca de respostas; tem ânsia por saber quais motivos justificariam aquela decisão capaz de mudar a vida de toda a família.


E se você tivesse que fazer a pior escolha de sua vida? E se a vida de suas filhas estivesse em suas mãos? “Por quê, Pai?” do autor Paul Law, publicado pela Editora Penalux, conseguirá te fazer repensar as suas atitudes e escolhas. Prepare-se para se surpreender do inicio ao fim.

No livro conhecemos Denis, um pai que teve que fazer uma terrível escolha e que mudaria completamente a sua vida. A cada capitulo o autor surpreende seu leitor com informações que passam despercebidas ao longo da leitura. A emoção ocorre na sua forma mais intensa com personagens que se destacam pelo seu desenvolvimento e criação. Além de Denis, conhecemos os pensamentos e devaneios de outros personagens que conseguirão te surpreender a cada capitulo.


Em “Por quê, Pai?”, Paul Law consegue criar um enredo cheio de nós que são desatados a medida que adentramos a leitura e a medida que conhecemos os mais íntimos sentimentos de Denis, o pai que teve que fazer uma escolha que mudou completamente sua vida. Mas não se espante se tudo não for como você pensou que seria. Não se espante se em determinado momento a história der uma guinada que te fará chorar e enraivecer  ao perceber que história tinha muito mais que contar do que aquilo que imaginaste.


Narrado em primeira pessoa por Denis, o autor consegue fazer o leitor adentrar dentro da mente de um personagem que sofre com uma grande culpa e aflição. Publicado pela Editora Penalux, em folhas amareladas e bem trabalhadas, o livro vai encantar o leitor a partir do primeiro capitulo. Sendo dividido em duas partes, “Por quê, Pai?” mostra a relação complicada entre pai e filha, além de tocar no tema da esquizofrenia , doença pela qual um dos personagens sofre.


“Por quê, Pai?” foi feito para você leitor, que busca uma história que te surpreenda do inicio ao fim. 

domingo, 21 de maio de 2017

Casos&Acasos por Suellen Mendes: Sedução nas Águas (Final)

Olá, meus amores do STC!
Como vocês estão? Hoje irei postar aqui na página o terceiro capítulo de Sedução nas Águas. Espero que vocês estejam gostando de conhecer está releitura da lenda do boto. Uma das lendas mais famosas da região norte brasileira.

Quero aproveitar a oportunidade para lhes fazer dois convites. O primeiro é para que conheçam o meu romance Perdida em seu Coração,o qual foi publicado ontem na Amazon pela Editora Independente. Nessa ocasião a Editora preparou uma maravilhosa e ousada promoção para o lançamento simultâneo de Perdida em seu Coração e Aurora Sob as Estrelas da minha queridíssima amiga Mai Passos. Então não deixe de conferir, ok? Tá valendo um número para o sorteio de um aparelho Kindle.

E o meu segundo convite é especial para a galera de São Paulo, ou para aqueles que estejam visitando essa maravilhosa cidade no dia 7 de maio.Nessa ocasião, estará acontecendo o evento de lançamento da Antologia “Além da Terra, Além do Céu”, da Chiado Editora, às 11h, no Teatro Gazeta, e eu estarei presente devido à minha participação na referidaAntologia com o poema “Antítese da Alma”. Seria um prazer poder encontrá-lo por lá.




Sedução nas águas – Um novo ser
Parte 3 ( Por Suellen Mendes)

Consequências e muita confusão foi tudo o que encontrei após aquela noite. A noite em que fui seduzida e arrebatada por aquele ser místico e fascinante. Desde minha infância o boto me salvara, desde que o vi pela primeira vez, quando perdi a minha mãe, eu me reconheci refletida nele. E talvez seja por isso que o fato de estar esperando o seu filho não me assusta. Apesar de toda a loucura e improbabilidade de algo assim acontecer, eu realmente estou grávida do boto.

- Michele! Taí?

- Sim,vózinha!

- Tu não quer comer? Fiz um tucunaré que tá de lamber os beiço!

- Quero não, vó! Tô sem fome!

- Mas tu precisa comer! Como acha que vai sustentar esse moleque se não se alimentar direito? – eu queria lhe dizer que não conseguiria comer nem se tentasse, mas o fato é que não podia contrariá-la. De todos em minha casa, minha Vó Antônia foi a única a me dar apoio incondicional.

- Tá bem, vovó! Vou fazer o que a senhora quer.

Ao chegar na cozinha tive que lidar com o olhar atravessado de tio Zé. Ele, definitivamente, não havia engolido a história que Paulo lhe contara: que eu havia sido seduzida pelo boto.

- Isso é uma vergonha, Michele! Quero saber quando pretende contar quem é o verdadeiro pai desse moleque!

- Já disse a verdade, tio! Se quiser o senhor acredita, senão não posso fazer nada.

- Isso é jeito de falar, menina?! – levantou-se me repreendendo e segurando o meu braço.

- Pai, já chega! – Paulo se intrometeu. – Eu sei o que vi! Michele diz a verdade!

- Toda essa história parece muito fantasiosa, Paulo! O boto ter engravidado a tua prima e tu ser testemunhar sem fazer nada!

Ai, já dava para imaginar o que vinha a seguir.

- Por favor, tio! Nem comece com tuas insinuações! Já disse que o Paulo não fez nada! Não é ele o pai dessa criança! – falei ao tocar minha barriga de sete meses.

- Zé, já chega! – vovó o repreendeu, mas não fiquei para lhe ouvir. Deixei todos para trás e caminhei até o rio.

Assim que vi as águas claras ondulando, senti um enorme desejo de adentra-las. Caminhei até o rio e o senti abraçar com seu frescor primeiramente meus pés, depois minhas pernas e, por fim, o meu ventre. Eu finalmente estava em casa!

Submergi as águas do rio e me permitir ser parte daquele lugar. Sem que nem mesmo percebesse, senti algo dando voltas a meu redor. Como em uma dança alegre e festiva. Meu boto saudava a mim e ao nosso filho. Toquei-lhe o nariz e aproximei o meu rosto do seu.

- Senti saudade! Você sumiu!

Com um barulho que me pareceu um pedido de desculpas, perdoei-o e me permiti brincar com ele antes de retornar à casa de vovó.

Já era tarde da noite quando uma forte dor em meu ventre me despertou.

- Qué isso, Meu Deus?!

Não querendo acordar nenhum de meus parentes e temendo o que podia acontecer, corri atrapalhadamente para o único local em que me sentia segura: o rio.

Quando finalmente mergulhei em suas águas, me permiti gritar. Meus urros eram estridentes e causavam desconforto até mesmo a mim.

- Deeeeus! Me ajudaaaa!

De repente a água estremeceu ao meu redor e um novo clarão iluminou o céu. Imediatamente a forma humana do meu boto apareceu. Ele se posicionou atrás de mim e com as duas mãos espalmadas sobre o meu ventre eu me permiti ser acalentada por ele. Aos poucos as dores foram cessando e, milagrosamente,comecei a me acalmar. Era tudo mágico nessa relação, o conforto e a segurança que ele me transmitia faziam-me passar por tudo aquilo sem medo ou desconforto.

O boto-homem beijou-me à testa. E naturalmente meu corpo se expandiu, adequando-se a passagem de nosso filho. Com o corpo reencostado no dele,observei-o receber nossa criança em seus braços. Era uma menina.Uma linda menina-sereia. Com calda em escamas azul e roxa, contrastando com a pele rosada. Os dedos das mãos eram perfeitos e ao abrir seus olhos pude ver duas safiras me encarando. Fiquei mais encantada do que assustada, e aproximei-a de mim retirando-a da água. Ao chegarem à superfície, seus pés surgiram e pude ver que minha filha era uma criança perfeita e especial. Uma verdadeira maravilha da natureza e um milagre de Deus.

- Yara! – ouvi-o pela primeira vez falar.

- Como a mãe d’água? – perguntei encarando-lhe.

Ele, tocando-me o rosto, aproximou-se e depositou um beijo em meus lábios. Ainda com os meus olhos ainda fechados, ouvi-o dizer:

- A beleza das águas!

Sim. Ela de fato o era.

- Me diga: qual o teu nome? – supliquei.

- Acir.

- Dolorido? Magoado? – perguntei sem entender por que ele teria um nome como esse. – Por que te deram esse nome?

Ele simplesmente olhou para baixo sem conseguir me encarar.

- Você conheceu o seu pai? – questionei novamente.

- Conheci.

- Ele ainda está vivo? – Recebi uma negativa – Ele era um boto? – Uma afirmativa – E a sua mãe? Ela te criou? – Outra negativa.

Abracei minha menina com força em meus braços. – Tu vais tirar ela de mim?

- Só se você não a quiser. – pude sentir o quanto lhe doía dizer aquilo.

- Eu a quero. – e sem compreender direito o motivo, confessei: - E a ti também.

Ele parecia surpreso, mas não liguei, apenas me aproximei mais.

- Não quero que nos deixe.

- Não quero deixar.

Sorri. Tudo iria ficar bem. Eu tinha a nossa filha. Nossa pequena Yara. Perfeita e bela filha das águas. Ainda não sabia o que seria dela, mas eu a queria comigo e a ajudaria a passar por tudo o que viesse em seu caminho.

Passei a noite na companhia de Acir e o observei com nossa filha. Descobri que poderíamos nos ver durante a lua cheia enquanto ele fosse homem, mas ele me prometeu não se afastar. Disse-me que mesmo nos outros dias viria, sob a forma do boto, pois queria acompanhar cada dia de nossa pequena sereia.

 


sexta-feira, 19 de maio de 2017

Tips & Tricks, por Delson Neto - A Chave da Divulgação



Hey, galerinha! Tudo bem com vocês?


Essa semana fui convidado pela autora Letícia Godoy para dar uma entrevista em seu grupo do Facebook – o “Escrevinhando” onde pude comentar um pouquinho sobre a minha experiência (que é pouca, mas de vez em quando funciona!) com divulgação de autores e obras nas redes sociais.

Então se você é leitor, blogueiro, ou escritor – quem sabe os três, como no meu caso – chega mais!









O primeiro passo para entrar de cabeça nesse mundo de criar suas autopromoções, divulgações e afins é: estudo. Sim! Mas não falo aqui de um estudo extremamente técnico sobre as ferramentas digitais, lógico, isso junto te agrega muito mais – só que a maioria de nós, como autores, somos marinheiros de primeira viagem quando se trata de mexer em imagens, pensar em posts e coisas que estão a anos luz do nosso alcance. Esse tipo de estudo acontece através de algo muito básico, que se trata da experimentação em si: ao entrar em uma rede social para utilizá-la ao seu favor, você tem que experimentar tudo que ela te oferece! Veja o que o público dela gosta, realize testes, haja como se estivesse em um grande laboratório!





Por exemplo, o Instagram é uma rede social com um público muito específico e cheia de possibilidades. Experimentando, você consegue cativar alguns leitores, ou criar uma rede nova de interações. O segredo dele mora na linha de criação que você quer usar – será um perfil pessoal, profissional ou focado apenas no seu blog/livro? Há várias linguagens para cada um desses setores. Por exemplo, se você quer juntar o profissional ao pessoal, as imagens têm que seguir a mesma “regra”. Parece besteira, mas os usuários do instagram são exigentes. A rede surgiu para fotógrafos, inicialmente, então manter um feed esteticamente agradável é um bom chamariz, então a partir disso nós aprendemos uma linha de edição de imagem a ser seguida, efeitos e afins: é sempre bom lembrar para não exagerar na utilização desses recursos.

 Instagram da youtuber e escritora parceira do meu livro, a Mariana Teixeira
Ela trabalha muito bem essa questão visual no feed dela, vale a pena conferir!

 

Já se é um perfil voltado apenas para o livro em si, sem nada pessoal, as coisas são menos restritas, o que importa aqui é você ter pleno controle da identidade visual da sua obra, porém, comentarei só sobre isso em outra sexta-feira, pois é um assunto longo! Como exemplo, o instagram da minha saga Os Guerreiros de Alquemena passou por mudanças recentes, agora, todas as fotos são uma imagem só que é montada ao longo dos meses a partir de um mosaico que preparei! Para chamariz de likes e seguidores, não funciona tão bem, mas é maravilhoso para deixar o leitor imerso na história! ;)



Deem uma olhadinha! Esse é só um pedacinho :D



O Facebook é também um desafio e tanto a parte. Veja, é a rede com a maior parte dos usuários da internet, o que por si só cria diferentes nichos dentro do próprio site – manjam de “A Origem” (Inception)? É tipo isso, uma realidade dentro da outra. Então para você divulgar o seu trabalho dentro do Facebook tem que saber exatamente em qual nicho quer entrar primeiro, pois eventualmente ele te levará a outros e também a novos públicos. Na minha opinião, é a rede menos prática e sem muitos macetes na hora de divulgar nossos trabalhos, mas é a com maior alcance. 95% dos leitores que podem ser conquistados de forma mais fácil é por ali: nos grupos, na linha do tempo, criando páginas específicas para seu livro ou blog.



A partir da criação de posts diferentes, com bom uso de texto e fotos, montagens, etc, você consegue inseri-los em grupos específicos para literatura. Como usuário do Wattpad e também da Amazon, foi assim que aos poucos comecei a formar leitores assíduos. Tem muita gente no Facebook disposta a conhecer trabalhos novos, mas, ao mesmo tempo, não podemos deixar o trabalho cair ao ver esse ambiente mais propício a um alcance diferenciado. Todo dia é um desafio entendendo quais divulgações funcionam ou não.





Capas de ''Os Guerreiros de Alquemena'' e de ''Shura'' no Facebook



Vale lembrar que: tanto no Facebook, como no Insta, devemos prestar muita atenção em um fator importante. Eles são veículos que conduzem o leitor ao nosso trabalho, não o representam em essência, apenas uma projeção dele – o que apresenta, o que há por trás da história. Logo, os recursos usados devem ser chamativos, mas nunca devem entregar totalmente o produto final. Devemos pensar em tudo como pequenas pistas que levam ao tesouro escondido.






Falando em conduzir, é bom pensarmos no uso das tags. O Twitter é onde elas nasceram com maior força, devido ao ritmo acelerado e fluidez de notícias e contatos de lá, contudo, aos poucos as famosas # migraram para cada canto do mundo virtual. Hoje, funcionam como o pão na fábula do João e Maria – pequenas migalhas que são pegas ao longo do trajeto, até que encontrem a casa de doces da bruxa. Você deixa uma tag #livros e chama público interessado nisso. Quanto mais específico for o público, mais específica será a tag e mais você conseguirá filtrar quem tem interesse nas suas produções.

Há lá seus jeitos de usar as tags. Pesquisar quais são mais eficazes ou não é interessante. No instagram elas costumam funcionar melhor do que no Facebook – mas nessa última, torna-se uma ferramenta muito útil para pesquisa de usuários e para seu próprio controle de postagens.







Se há uma chave ou não para a divulgação? Bem, acredito que, com essas pinceladas bem básicas acerca de como você deve estar preparado para essa parte intensa do processo, conseguimos sacar algo logo de cara: sua principal arma aqui é a capacidade de observação. Observar o mundo, experimentar, entender o que acontece. Para isso não é preciso ter medo. “Quem arrisca não petisca” é uma grande verdade aqui. Temos a internet em mãos, uma infinidade de programas disponíveis para download, estamos o tempo todo conectados passando por informações. Em vez de só rolarmos a tela da timeline para baixo, vamos começar a absorver o que há de positivo em sua estrutura. Atenção aos detalhes é fundamental. E assim, aos poucos, aprendemos mais não só sobre formas de ampliar nosso trabalho, como passamos a entendê-lo como um todo.


Espero que tenham gostado!

Até a próxima :D


Resenha (26/150): Decrépitos - Aqueles Que Herdaram a Terra, de Fábio Mourajh (Chiado Editora)






Sinopse: Em um futuro pós-apocalíptico, um vírus mortal, criado em meio à última guerra mundial, dizimou quase toda a humanidade, obrigando os sobreviventes a permanecerem protegidos dentro de cúpulas. Duas cidades se erguem então em meio a toda esta destruição: Adão, a primeira cidade e lar dos sábios e poderosos Elevados, seres com dons e poderes especiais; e Eva, a cidade da perdição, lugar onde vivem os Decrépitos seres marginais, produzidos em grande escala pelos humanos para satisfazerem todas as suas necessidades. É neste lugar que surge Loan, um jovem Decrépito que após ter seus dons despertos, acaba atraindo muita atenção com a intensidade de seu poder, inclusive dos poderosos Elevados de Adão. Descontrolado por causa dos acontecimentos que o levaram até seu despertar, Loan desenvolve seus dons de maneira perigosa, manifestando-os para punir aqueles que se colocam em seu caminho, equilibrando-se assim no limite entre o bem e o mal. Porém, os desafios e surpresas que o futuro reserva para Loan são ainda mais sombrios do que que se possa imaginar, pois existe uma ameaça desconhecida que se esconde nas sombras de Adão, e é em meio a este cenário que Loan se vê dentro do olho do furacão que ameaça o que restou da civilização humana.



E se os seres humanos conseguissem criar clones perfeitos? E se o mundo fosse destruído em uma grande catástrofe e a única salvação fossem esses clones?

Decrépitos – Aqueles que herdaram a Terra, do autor cearense Fábio Mourajh, traz ao leitor um mundo apocalíptico onde seres criados pelos próprios humanos, os decrépitos, começam a despertar grandes poderes e se auto denominam “Elevados”. Em meio a eles surge Loan, um garoto decrépito que ficaria conhecido como o “destruidor de vidas”, pelo seu grande e assustador poder.

Com personagens bem desenvolvidos e um enredo bem descrito, Decrépitos consegue fazer com que o leitor devore cada página sem perceber o tempo passar. Isso se deve a escrita clara e concisa do autor, que apesar de ter criado um universo cheio de seres e informações, consegue passar isso sem tornar a leitura exaustiva.

Diferente de muitas distopias e fantasias que tenho lido no decorrer de minha vida literária, o livro de Fábio Mourajh traz uma nova forma de escrita neste gênero. Que nova forma é esta? Através de personagens claros e com personalidades parecidas com muitos de nós; com um enredo que não beira ao exagero e se aproxima dos problemas que a humanidade enfrenta nos dias atuais; com uma escrita leve e nem um pouco rebuscada.

Mas um aviso de amigo, não se apaixone por nenhum personagem, pois há qualquer momento ele ou ela podem morrer durante o enredo. Esqueça qualquer tipo de fantasia que você conhece , Fábio Mourajh te ensinará que nem tudo é o que parece ser.

Decrépitos – Aqueles que herdaram a Terra, é o primeiro de uma série, e o autor ainda tem muito a nos mostrar desta nova Terra. Esses seres poderosos com dons de controlar o fogo, o tempo, a Terra, o vento e até mesmo a vida e a morte, ainda tem muito em que te surpreender.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Resenha de Virando Amor, por J.M (25/150)


Preto no Branco: uma forma imatura e superficial de julgar as coisas


Resenha de Virando Amor, por J.M.

                Em geral, o trabalho de um crítico é fácil. A gente pega algo, no meu caso, um livro – fruto do tempo, esforço, suor e lágrimas de alguém – lê e debanda um enorme discurso cheio de citações a escritores gourmet e cagação de regras. A qualidade do seu serviço como crítico vai ser medida pelo tanto que você floreia sua opinião com palavras difíceis (ou melhor, vamos florear isso aqui? Rebuscadas) e pelo quão difícil você é de agradar. Como diria Juan Onetti, “Sempre disse que os críticos são como a morte; às vezes demoram, mas chegam sempre”. Viu? Já fiz meu discurso soar prepotente e entendedor, por mais que nem eu nem você façamos a menor ideia de quem é Juan Onetti. Deve ser alguém importante, tem nome difícil e eu acabei de ganhar uns pontos no seu conceito ao parecer que sei o que estou dizendo. Como eu disse: em geral, é fácil.
                Dessa vez não foi.
                “Virando Amor” é a história de uma garota que, quando o pai ganhou uma promoção no emprego para outro estado, foi forçada, aos dezesseis anos, a começar a vida de novo numa outra cidade, deixando família, amigos e até namorado para trás. O livro se desenrola nas dificuldades de adaptação da menina na escola nova e nas boas surpresas que isso trouxe para ela. As amizades e relações antigas são postas à prova diante a distância. Algumas passam no teste, outras não. Isso faz com que a personagem principal amadureça e perceba que nem tudo são flores. É perceptível, ao longo da trama, este amadurecimento de Priscila, a protagonista, diante das dificuldades que ela tem que enfrentar e do fato de que nem tudo vai sempre acontecer do modo que ela quer. A transição dela de negação para aceitação do novo é feita de forma gradual e bem desenvolvida. A autora, que escreve bem demais para a idade e para a primeira obra, insere bem a protagonista, apesar de falhar nos coadjuvantes. O texto corre leve, fazendo com que o livro seja uma leitura facilmente terminável em um dia.
                Comecei a ler “Virando Amor” e já detectei, logo no começo, não só o rumo da história, mas também o seu final. Depois que se lê muitos e muitos livros na vida, este é até um exercício interessante. Você olha a capa, a cara do escritor, lê a sinopse e o primeiro capítulo e debanda a deduzir o enredo e o final. Em geral eu acerto (falhei miseravelmente com Decrépitos e por isso admirarei o autor até meu último suspiro). Acertei nesse também. Ao longo da leitura, fiz imensos monólogos sobre os erros de enredo que encontrei, com os clichês, terminando sempre com a perspectiva derrotista dos críticos, que usam frases como “a originalidade morreu”. Então agiu o Yang do meu Yin: uma pessoa real na minha vida. A luz da minha escuridão, a neutralidade do meu radicalismo. “Qual a idade dessa moça que escreveu esse livro? Ela parece jovem. Claro que tu não gostou. Você não faz parte do público alvo.”
                Os monólogos? Foram ao chão. O feitiço voltou contra o feiticeiro e a autocrítica iniciou imediatamente. Quantos livros eu já li na vida e disse que eram ruins simplesmente porque eu não me atentei ao fato de que não pertenço ao público alvo? Um crítico deve oferecer sua opinião, claro, mas uma resenha de verdade deve conter neutralidade. Dê José de Alencar para uma criança que ela vai dizer que é péssimo. É verdade? Pra ela, sim, mas a culpa é sua. Quem dá Alencar para uma criança? (As escolas, mas isso não vem ao caso).
                Eu gostei do livro? Não. Há doze anos, no auge da minha adolescência, eu teria gostado? Com certeza! Hoje eu vejo falhas de enredo, vejo falta de interação de personagens e mais um monte de coisas que, como leitora assídua, escritora e estudante de literatura, eu deveria ver mesmo, mas uma adolescente? Vai adorar. O livro contém uma saga de adaptação e empoderamento da personagem principal, amizades, festas, romances e uns excelentes conselhos amorosos pra quem está começando agora e não tem noção dos limites saudáveis num relacionamento. Se você conhece alguém com quinze anos ou menos que esteja começando a namorar, ou enfrentando adaptação de mudança de endereço ou escola, a leitura desse livro vai fazer muito bem.
                Termino minha resenha, mais pessoal do que literária, com uma reflexão: quantas vezes já emitimos opiniões injustas por estarmos julgando realidades que não nos pertenciam? E você? Leva todos esses pontos em consideração antes de ler um livro novo ou continua se frustrando que nem eu, teimando contra as evidências?
                À autora, um conselho: não desista. Você vai ouvir muita gente falando mal da sua obra. Vai ver já ouviu. Vai ouvir muita gente falando bem também. Escute. Tenha paciência. Todos aqueles que disserem “não gostei”, “é péssimo” sem fundamentos, ignore. Assim como os “eu adorei” e os “é ótimo”. Não lhe são úteis para nada como escritora. Deixe fluir. Tire do rio de palavras aquelas que vão lhe engrandecer: opiniões com fundamento, sejam estas negativas ou positivas. Estude literatura, tente de novo. Escreva mais, você tem potencial pra caramba e um grande futuro pela frente. Apesar do que a maioria dos leitores acha, a literatura não é feita de poetas mortos, ou então ela mesma já estaria morta.

                Au revoir e até a próxima.


sexta-feira, 12 de maio de 2017

Tips & Tricks, por Delson Neto - Isso é TÃO livro!

Hey, galerinha! Tudo bem com vocês?

Por aqui anda tudo certo e hoje trago mais uma matéria para embarcar todos no final de semana – talvez, se ainda não viram ou ouviram falar sobre alguma dessas obras apresentadas, eis a chance de conhecê-las! Certo? Então vamos lá!






Temos uma mania incontrolável, quanto leitores e admiradores de obras escritas, de apontarmos adaptações ruins das nossas coleções preferidas as prateleiras, ou de admirarmos também aquelas raras que deram certo. “Nossa, esse livro aqui daria um filme incrível!”, “Quero tanto uma série de ~~insira um livro aqui~~”, são coisas que vivemos falando ao trocarmos figurinhas a respeito dessa nossa paixão. Mas quanto ao contrário? Vocês provavelmente já se pegaram pensando – “Meu, essa história daria um livro fantástico!”.

Recentemente tivemos uma onda de adaptações de quadrinhos e histórias de super-heróis em livros, o mesmo aconteceu com algumas franquias de jogos de videogame e computador. Ao entrar na livraria, facilmente podemos encontrar livros dos Vingadores, do Batman, Homem-Aranha, Assassin's Creed e muitos, muitos outros títulos. Pensando nessa tendência, selecionei aqui coisas do meu gosto pessoal que amo demais e gostaria de indicar, mas propondo esse pensamento: e se fossem livros?





O LABIRINTO DO FAUNO (Pan's Labyrinth – 2006)


Começando pelo meu filme favorito, O Labirinto do Fauno é tão fabuloso que chega a ser difícil acreditar, ao terminar de vê-lo, que ele não foi baseado em uma obra literária propriamente. Guillermo del Toro foi o responsável pelo roteiro e direção dessa obra-prima do cinema. Vencedor de três oscars, temos aqui uma fantasia histórica na maior pegada Alice no País das Maravilhas de uma forma assustadoramente obscura. Recheado de referências mitológicas, O Labirinto do Fauno nos conduz por um cenário político que serve como fundo para a jornada de Ophelia, a garotinha de 10 anos protagonista do enredo e apaixonada por literatura e seres mágicos. Sem criar um limite claro entre a realidade e a fantasia, o filme cria alegorias que deixam o espectador de queixo caído – seja pelos inimigos enfrentados pela garota, como o Homem Pálido, um dos muitos espelhados em características do movimento fascista espanhol, ou pela narrativa forte na construção das personagens femininas como Mercedes que afronta o machismo do capitão, e pelo desenvolvimento de toda a linha que culmina ao final arrebatador.



A mitologia de “O Labirinto do Fauno” nos apresenta o submundo e o fauno em si como portador deste limiar entre o resgate de Ophelia, a dita princesa perdida desta realidade fantástica, e as responsabilidades humanas da menina. Vemos uma estrutura maravilhosa de detalhes, que certamente nos deixariam extremamente animados se tudo fosse condensado em uma obra literária. Consigo quase enxergar as descrições!



FULLMETAL ALCHEMIST

Gente, sério – quem já viu ou ouviu falar de FullMetal Alchemist? Eu até comentei aqui no blog sobre o relançamento dos mangás em edição especial feito pela EditoraJBC. Tanto o mangá quanto os dois animes (temos o clássico que conta uma história diferente a partir de certo ponto, e o Brotherhood que segue o mangá à risca) são simplesmente incríveis! Na melhor abordagem steampunk, Hiromu Arakawa, a mente genial por trás do roteiro e das ilustrações, nos traz um enredo que, além de ser cheio de reviravoltas e cenas de ação inesquecíveis, está ambientado com personagens donos de relações tão bem construídas que é impossível não se apaixonar. Personalidades únicas, bom humor e um dos finais mais sensacionais que já vi.






Em FullMetal Alchemist acompanhamos Edward e Alphonse Elric na busca pela Pedra Filosofal, o elixir da vida e lenda entre os alquimistas. Há um estudo peculiar sobre a alquimia e referências ótimas dentro desse universo. Daria uma saga de livros fenomenal, de verdade. Confiram a matéria linkada ali em cima para saber mais :D



LINDSEY STIRLING – SHATTER ME

Ué, música pode resultar em livro?! Olha, honestamente, esse álbum resultaria em um livro fantástico.
Shatter Me” é o segundo álbum da discografia da Lindsey Stirling – compositora e violinista que mescla o instrumento clássico com dubstep. O encarte do cd em si traz uma história: sobre uma bailarina que vivia sob o comando da caixinha de música em que estava presa, até notar o quão belo e desafiador era o mundo externo, e ela cria coragem para ser sua própria arma pela liberdade. Imagina o quão filosófico e intenso seria um livro partindo dessa premissa?





Os vídeos nos mostram um universo encantador a parte – inclusive, este abaixo já é do outro álbum, o terceiro, “Brave Enough” e ele faz parte da história do que coloquei ali em cima! Com ambientes de nos levar ao delírio, adornados por essa música mágica que a Lindsey produz, podemos visualizar tantas cenas épicas ao fechar os olhos e sentir o instrumental. Eu, particularmente, me inspiro muito nas músicas dela para a criação dos meus mundos de fantasia.





É isso, galera! E vocês, o que imaginam sendo adaptado para livro?
Engraçado pensar nesse processo contrário, mas achei super válido de comentar.
Compartilhem aqui com a gente!


Beijos e abraços,
Até semana que vem!