sexta-feira, 17 de março de 2017

Tips&Tricks por Delson Neto: Sci-fi - Um Mundo de Possibilidades



Heey, galerinha! Como estão por aí?


Hoje é aquele dia que falo um pouco na minha coluna TIPS&TRICKS sobre o processo criativo e construção de histórias, sempre pegando algum enredo meu como exemplo e o aproximando dos leitores ;)

Nesta sexta vamos deixar a fantasia medieval um pouquinho de lado – e falar sobre ficção científica, ou como abreviamos: o sci-fi. Até onde vão os limites da inovação e da proximidade com a realidade neste gênero?

Então senta aí, segure firme na cadeira porque vamos atravessar fronteiras, indo ao universo SIMULADO do meu cyberpunk Shura e ao espaço do mangá Knights of Sidonia (EditoraJBC).



Antes de tudo, é legal nos situarmos: acreditem ou não, apesar da grande expansão desse tipo de história, ficção científica é considerado um subgênero da literatura fantástica! Sim, sim, ela se “desmembrou” da fantasia, e por muito, muito tempo, não foi bem-aceita por críticos lá no seu surgimento. Alguns viam o sci-fi como algo raso, amador e mal feito. Mas é aquele ditado, aceita que dói menos, porque ficção científica se tornou algo gigantesco e que invade as artes da literatura ao cinema.



Fonte: Google Imagens

O sci-fi pode ser dividido de duas formas: hard e soft sci-fi. Nisso já podemos nos embrenhar pelos enredos que vou comentar aqui. O hard sci-fi se limita ao desenvolvimento e existência da tecnologia no cenário futurista em que, normalmente, essas histórias são ambientas, deixando as relações humanas e profundidade nos personagens como segundo plano. Já o soft traz à tona as inter-relações sociais e emocionais dos protagonistas e afins. Além disso, existem diversos arcos de possibilidades dentro da própria ficção científica: temos subgêneros para retratar de tudo, de sociedades distópicas a manipulações genéticas, steampunk, dieselpunk e enfim o cyberpunk, que é o que vem a seguir! :)





'Nova Avalon é uma cidade consumida pela tecnologia e as malícias da mente humana. Em meio a um cenário futurista, Shura Lee Johson procura maneiras de sentir-se viva e dedica-se de corpo e alma ao seu trabalho em um departamento secreto da polícia federal. Entre uma Simulação e um shot de tequila, Shura desvenda não só os avatares psicológicos dos criminosos apontados pelo Sistema, como também revela a sua própria melancolia.
Abra a sua mente para as possibilidades - pois nada é real!'


Tanto meu livro Shura, quanto Knights of Sidonia se enquadram no cyberpunk – o que define este arco da ficção científica é, em suma, cenários com alta tecnologia e um modo de vida melancólico, sujo, e com baixa qualidade de vida. Histórias cyberpunk costumam ter um mundo bem futurista, políticas diferentes e trazem assuntos permeados de malícias humanas e possibilidades de integrar homem à máquina, especificamente ao cyberespaço. Em Shura eu explorei os limites da mente e novas realidades, mas afinal, o quanto disso pode ser aplicado em nossas vidas?




Shura se passa nos anos 2000, a ideia é que esse tempo desenvolva certo futuro “nostálgico”. Veja bem, se você é da geração dos anos 90 e de antes, sabe bem que havia uma crença forte que os anos 2000 seriam revolucionários a ponto de ter carro voando! Então por que não pensar nessa possibilidade? E se o passado tivesse sido mais futurístico? Com isso, o leitor identifica ali uma referência ou outra de coisas bem táteis. Acho que, quanto escritor, é importante essa empatia. Se o conteúdo fica muito distante do leitor, a história torna-se um tanto quanto cansativa. Isso pensando em histórias atuais e leitores atuais, é claro!



Podemos considerar que a história é estruturada em soft sci-fi, pois sem querer – juro – acabei explorando a mente da personagem muito além do que previa! Shura é uma agente do Departamento de Previsões Criminalísticas, pense na responsabilidade. Ela vive quase que de modo automático, regada a bebidas, cigarros e baladas após o expediente. As tecnologias ao alcance dela são absurdas, mas não tão distantes. Por exemplo, lentes de contato que não só servem para (mudar a cor do olho) enxergar longe, mas fotografar, criar vídeos e afins; nosso corpo como fonte de energia elétrica, hologramas… São exagerados, contudo, plausíveis se pesquisamos nos lugares certos!




Às vezes, quando pensamos em um gênero literário específico, quase que eliminamos quaisquer chances da história abordar romance e outros temas. Em Shura, temos o desenvolvimento de uma personagem LGBT e com uma ex-namorada que lhe gerou alguns traumas. É interessante pensarmos que, por mais distante que determinadas coisas pareçam em cenários futurísticos, a nossa condição humana ainda é muito semelhante: todos temos as nossas cicatrizes, independente do mundo que gira ao nosso redor.





A história segue as aventuras de Nagate Tanikaze, que viveu na camada subterrânea de Sidonia desde o nascimento, criado por seu avô. Nunca encontrando ninguém, ele treinou em um velho simulador de piloto Guardião todos os dias, tentando dominá-lo. Após a morte de seu avô, ele é encontrado pelo resto da população e selecionado como piloto Guardião, na esperança de defender Sidonia do ataque do Gauna usando suas habilidades de combate em circulação.


Knights of Sidonia é uma ótima pedida para quem deseja cair em uma aventura sci-fi. O mangá tem sido aqui no Brasil pela JBC e está atualmente no volume 8. É vendido em livrarias e lojas especializadas, mas você pode assinar lá no site desde o 1ºnúmero! E para quem é fã de animação: tem 2 temporadas na Netflix. Com a utilização de computação gráfica (que eu particularmente não sou muito fã) temos cenas de cenários, principalmente, de encher os olhos! Vale a pena conferir, eu estou agora na primeira temporada! ;)




Aqui somos levados ao espaço, então já dá pra saber que a coisa vai ser bem louca. Pense: naves espaciais, alienígenas gigantescos, mas uma trama excelente. A sociedade em Sidonia vive e respira tecnologia, contudo, vemos algo bem presente em nossa sociedade atual – a quebra de gêneros, de raças e fronteiras. Sim, temos personagens nesse mangá que não possuem gênero definido! Sendo muitas vezes referidos como meninas, outras como garotos, e isso é muito, muito interessante, ainda mais se pensamos que toda essa ideia surgiu no Japão! O mangaká e autor Nihei Tsutomu mandou bem nessa escolha de plot!

O que é interessante dentro das possibilidades da ficção científica é também a oportunidade de explorar ideias visionárias. Em Sidonia, os seres humanos devido a escassez de alimentos, avançam ao ponto de conseguir realizar fotossíntese!! Sim, incrível! Isso cria um elo entre expectador/leitor e a história, afinal, todos sabemos do que se trata a fotossíntese, o que muda aqui é a curiosidade que criamos para entender como funcionaria em humanos. Além de que a edição da JBC está impecável no mangá, logo o meu chega e postarei fotos :D




Então mesmo para quem não gosta do gênero, ou tem medo de arriscar: vamos abrir a mente para o novo! Quem sabe as histórias incríveis que nos esperam? Vou deixar aqui embaixo o link de Shura para conferir – até o dia 31 a versão beta da história está na íntegra no Wattpad, depois disso, sairá em versão física e ampliada pela Editora Sekhmet, que agraciou a obra no concurso #20k_20 dias do Wattpad <3


Espero que tenham curtido e até a próxima! O/


Referências:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Knights_of_Sidonia

 


2 comentários:

  1. Adoro sci-fi e eu não sabia que ela deriva da fantasia. Muito legal saber disso e concordo com sua reflexão sobre que a condição humana deva ser muito semelhante mesmo em cenários bem futurísticos. O seu livro SHURA tem um enredo incrível e eu fiquei totalmente envolvida na trama tentando decifrar as pistas. Agora só falta eu começar a ler mangás, ainda não consegui ir na loja que você me indicou para poder escolher um bem legal. :)

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    1. Pois é!! Eu descobri durante essa semana, até fiquei meio desconfiado de que eu tivesse visto em uma fonte não muito certa. Sempre amo receber esse carinho todo seu e a presença dos seus comentários em minhas histórias, minha amiga e fiel leitora! Logo você consegue um tempinho!

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